Turismo em Portugal

O turismo consolidou-se como pilar estrutural da economia portuguesa. Em 2024, a Conta Satélite do Turismo (INE) registou uma contribuição directa de 12% do PIB, equivalente a 34 mil milhões de euros. Incluindo efeitos indirectos e induzidos, o World Travel & Tourism Council (WTTC) estima 21,3% do PIB para 2024, com projecção de 21,5% em 2025.

Five Credit Research  |  Junho 2026  |  8 min de leitura

Desafios Oportunidades
Acessibilidades e capacidade aeroportuária — principal constrangimento ao crescimento (48% dos operadores) Crescimento do mercado norte-americano — +4,9% em dormidas, elevado gasto por viagem
Escassez de recursos humanos qualificados — agrava custos operacionais das PME (45% dos inquiridos) Digital nomads e workation — estadias longas, baixa sazonalidade, elevado gasto médio
Acesso ao crédito restrito para PME — critérios mais exigentes; sazonalidade como barreira (BdP, Abr. 2026) Descentralização regional — Madeira (+17%), Norte e Alentejo acima da média nacional
29,1 MM€
Receitas turísticas (2025)
+5,0% vs 2024
21,5%
do PIB nacional (WTTC 2025)
directo + indirecto + induzido
32,5 M
Hóspedes em 2025
+3,0% vs 2024
82,1 M
Dormidas em 2025
+2,2% vs 2024
1,2 M
Empregos apoiados pelo turismo
~23% do emprego nacional
12.º
Ranking WEF Competitividade
1.ª vez na história

1. Dimensão Económica

Em 2024, a Conta Satélite do Turismo (INE) registou uma contribuição directa de 12% do PIB, equivalente a 34 mil milhões de euros. Incluindo efeitos indirectos e induzidos, o World Travel & Tourism Council (WTTC) estima 21,3% do PIB para 2024, com projecção de 21,5% em 2025.

Indicador 2023 2024 2025 (prov.) Var. 25/24
Receitas turísticas (MM€) 25,4 27,7 29,1 +5,0%
Hóspedes (milhões) 30,1 31,6 32,5 +3,0%
Dormidas (milhões) 77,2 80,3 82,1 +2,2%
Proveitos alojamento (MM€) 5,9 6,6 7,2 +7,0%
Contribuição PIB directo (INE) 11,2% 12,0% ~12%
Contribuição PIB total (WTTC) 21,3% 21,5% +0,2pp

Os proveitos totais do alojamento cresceram +7% em 2025, superando a variação de hóspedes (+3%) e dormidas (+2%). O rendimento médio por hóspede passou de 211 € (2024) para ~220 € (2025) — sinal de qualificação da oferta e captação de segmentos premium.

2. Principais Mercados Emissores

Em 2025, o Reino Unido manteve-se como principal mercado emissor, com 10,1 milhões de dormidas (17,7% do total de não residentes). Os mercados norte-americano (+4,9%) e canadiano (+5,8%) foram os que mais cresceram. França e Espanha registaram as maiores retracções.

Mercado Dormidas (M) Var. 25/24 Receitas (MM€) Var. Receitas
Reino Unido 10,1 -1,5% 4,3 +3,5%
Alemanha 6,4 +1,2% 3,4 +7,4%
EUA 5,5 +4,9% 3,1 +8,0%
Espanha 5,2 -5,2% 2,9 +3,6%
França 4,2 -7,0% 3,2 -1,2%
Canadá +5,8%

Nota: apesar da queda em volume de dormidas, as receitas do RU cresceram +3,5% — os viajantes britânicos ficam menos tempo mas gastam mais por viagem. O mercado norte-americano afirma-se como o principal motor de crescimento em valor.

3. Desempenho Regional (2025)

Região Dormidas Var. Proveitos (M€) Var.
Madeira 9,9 M +4% 894 +17%
Lisboa (AML) 21,3 M +1% 2.200 +2%
Norte 14,7 M +5% 1.200 +9%
Algarve 20,8 M +0,4% 1.800 +7%
Alentejo 3,8 M +6% 325 +10%
Açores 3,1 M +2% 255 +10%

A Madeira destaca-se com o maior crescimento em valor (+17% nos proveitos). Norte e Alentejo registam crescimento acima da média nacional — indicadores positivos de distribuição territorial do turismo e redução da sazonalidade fora dos destinos tradicionais.

4. Posicionamento Internacional

Reconhecimento Detalhe
WEF Competitividade Turística 2024 12.º lugar mundial — 1.ª vez na história de Portugal
IMD Competitividade Global 2025 37.º — à frente de Espanha (39.º) e Itália (43.º)
World Travel Awards 2025 Best Destination in Europe — 6.ª vez desde 2017
Receitas turismo (WEF) 7.º no ranking mundial de receitas turísticas relativas ao PIB

5. Perspectivas e Desafios para 2026

O turismo em Portugal entra em 2026 numa fase de consolidação, com crescimento moderado mas positivo. As projecções apontam para ~34 milhões de hóspedes, ~83 milhões de dormidas e proveitos totais acima de 7 mil milhões de euros. O sector quer crescer mais de 5% em receitas (Visit Portugal Conference 2026).

Principais desafios identificados pelo sector:

  • Acessibilidades e capacidade aeroportuária — referida por 48% dos operadores como principal constrangimento ao crescimento
  • Escassez de recursos humanos qualificados — 45% dos inquiridos; agrava custos operacionais nas PME
  • Instabilidade económica internacional — 43%; incerteza nos mercados emissores europeus e transatlânticos
  • Pressão regulatória ESG — a Directiva EmpCo (Set. 2026) proíbe claims de sustentabilidade sem fundamento

Tendências de consumo 2026:

  • Slow travel e experiências autênticas — vantagem competitiva de Portugal face a destinos de massa
  • Digital nomads e workation — estadias longas, baixa sazonalidade, elevado gasto por viagem
  • Turismo de natureza, enoturismo e wellness — Alentejo, Douro e interior ganham relevância
  • Personalização via Inteligência Artificial — automatização de reservas, recomendações e gestão de ocupação

O 2.º trimestre de 2025 (Abr.–Jun.) foi o de maior crescimento: +9% nos proveitos e +4% nas dormidas. A Madeira e Lisboa já apresentam distribuição anual equilibrada. Menos sazonalidade significa fluxo de caixa mais estável para as PME do sector.

6. Financiamento das PME do Sector Turístico

O turismo é maioritariamente constituído por PME — hotéis boutique, alojamento local, restaurantes, agências de animação turística e enoturismo. Estas empresas enfrentam necessidades de financiamento específicas, nem sempre bem servidas pela banca tradicional.

Necessidades mais comuns:

  • Fundo de maneio e tesouraria sazonal (Outubro a Março)
  • Requalificação e remodelação de espaços
  • Certificação de sustentabilidade e eficiência energética
  • Digitalização: PMS, channel manager, plataformas de reserva
  • Equipamento, mobiliário e activos tangíveis

Contexto de crédito bancário:

O Inquérito aos Bancos do Banco de Portugal (Abril 2026) confirma que os critérios de concessão de crédito às PME se tornaram «ligeiramente mais restritivos», com especial impacto nos empréstimos de longo prazo. A sazonalidade da receita e a ausência de colaterais convencionais são as principais barreiras ao crédito bancário nas PME turísticas.

Apoios disponíveis em 2026: Linha de Apoio à Qualificação da Oferta (Turismo de Portugal + banca): até 80% do investimento elegível; participação pública de 40% (PME) e 30% (não-PME); limite de 3 M€/projecto. O Portugal 2030 disponibiliza adicionalmente incentivos a fundo perdido e linhas de crédito cofinanciadas, com máximo de 5 M€ por operação.

Fontes

  • INE — Conta Satélite do Turismo 2024 (Base 2021) · Publicado 1 Ago. 2025
  • Turismo de Portugal — Visão Geral 2025 (dados provisórios) · 27 Fev. 2026
  • WTTC / Oxford Economics — Economic Impact Report Portugal · Jul. 2025
  • IPDT — Resultados do Turismo em Portugal 2025 · 3 Fev. 2026
  • TravelBI — Análise Concorrentes Portugal–Espanha 2025 · 2025–2026
  • Banco de Portugal — Bank Lending Survey (BLS) · Abr. 2026
  • Visit Portugal Conference 2026 · Fev. 2026
  • WEF — Travel & Tourism Competitiveness Index · 2024

Sobre o autor:

Relacionado

Turismo e Hotelaria em Portugal

O turismo consolidou-se como um dos pilares estruturais da economia portuguesa. Em 2025, as receitas turísticas atingiram 29,1 mil milhões de euros — o valor

As 4 melhores opções de refinanciamento empresarial em Portugal

Num contexto onde muitas empresas acumulam múltiplos créditos com diferentes bancos, prazos e taxas de juro, a consolidação dessas dívidas num único contrato pode

Roadshow Nacional

A Five Credit e a AIP-CCI estabeleceram uma parceria para facilitar o acesso das empresas a uma inovadora solução de financiamento. A Five Credit